Além do seu próprio nariz

Definitivamente, precisamos entender que vivemos em sociedade. Não podemos esquecer que nossas atitudes afetam de alguma forma aqueles que vivem, ou ao menos tentam viver em harmonia conosco. Parece-me que esta sociedade vem perdendo um dos principais valores de boa convivência, o respeito ao próximo.
A solidariedade deixou há muito tempo de prevalecer nos bons costumes. Talvez por falta de tempo ou pela difícil e extenuante rotina de trabalho, acabamos deixando que as adversidades nos afastem cada vez mais uns dos outros, tendo como conseqüência um futuro incerto, inseguro e sem o conforto que buscamos seguidamente. Os exemplos de alienação à sociedade são diversos: carros cortando a frente uns dos outros num trânsito caótico, filas sendo desrespeitadas em todos os sentidos, “puxadas de tapete” nos parceiros de trabalho, o pequeno valor que algumas vezes damos aos nossos familiares, entre outros que poderíamos citar neste momento.
No contexto atual, a ética e a moral são frontalmente desafiadas. Mesmo as situações mais comprometedoras são tratadas de forma a não melindrar os transgressores que passam por cima de tudo e de todos, olhando apenas o seu próprio nariz. Está bom para eles; não interessam os demais.
Acho que é o momento ideal para uma parada para definir o que queremos para o nosso futuro. É o momento adequado de pararmos para pensar e adequar ações para o desenvolvimento social e conseqüente crescimento econômico da nossa sociedade. Vamos buscar o sentido de cooperação mútua e respeito que queremos para nós mesmos. Vamos trabalhar os valores que não poderiam ter ficado para trás num momento tão importante do crescimento deste grande país em que vivemos.
Certamente não conseguiremos, de forma isolada, mudar a forma de pensar das pessoas. Conseguiremos, sim, mudar a forma de pensar de algumas destas pessoas, e estas, por sua vez, farão o mesmo com outras e assim sucessivamente. Se não conseguirmos fazer a diferença para uma sociedade melhor no seu todo, pelo menos vamos fazer a diferença para os que estão mais próximos.
Acredito realmente que teremos momentos socialmente mais corretos quando convivermos com pessoas que têm um grande diferencial e que dominam a arte de fazer o bem a qualquer tempo, sem cobrar uma resposta semelhante daquele que ajuda. Quando palavras simples como “obrigado” ou “com licença” forem usadas de forma habitual, teremos um mundo mais saudável e gostoso de se viver.
No Grupo Dom Bosco, temos o Dom de Ensinar, o Dom de estender a mão, o Dom de multiplicar, o Dom de emocionar e, principalmente, o Dom de Aprender a amar e educar. Ensinamos valores que certamente mudarão aqueles que estarão fazendo o nosso futuro e o dos nossos filhos.
Danilo Schier da Cruz
Especialista em Administração Esportiva e em Atividade Física e Saúde, coordenador do curso de Educação Física da Faculdade Dom Bosco e coordenador de esportes do Colégio Dom Bosco.
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