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O egoísmo como elemento norteador das relações sociais

Uma das possibilidades de se pensar a Administração, a partir do período moderno, é tomar como referência de ser humano uma pessoa mesquinha, egoísta, voltada apenas para seu interesse próprio. Se até a Idade Média o homem era considerado “bom” por uma questão natural ou por ter sido criado por Deus, Maquiavel rompe drasticamente com esta lógica ao propor o ser humano como um ser que é, em essência, possuidor de mazelas que inviabilizam uma convivência harmônica e igualitária na sociedade. Ainda que perdurem divergências sobre a interpretação de Maquiavel sobre a realidade e a interpretação do pensamento de Maquiavel, o fato que o adjetivo “maquiavélico” reconstrói este universo simbólico e tem sido utilizado por muitos administradores como referência para pensar o ser humano e as organizações.

Na seqüência histórica, um outro autor que contribui para reforçar esta perspectiva individualista do ser humano encontra-se em Hobbes. Sua concepção mecanicista de homem e da natureza transforma a ética em parte da física, que estudaria as “conseqüências das paixões dos homens” (Hobbes, 82). Segundo ele os homens, em seu “estado natural”, querem preservar seus bens, do qual o primordial é a própria vida. Isso implica necessariamente numa luta constante, uma guerra de todos contra todos que só pode ser superado pela existência de um “contrato”, onde os homens outorgam ao Estado o poder de dirigí-los. O homem, pensado aqui como lobo de sua espécie, sugere uma coordenação externa, superior e coercitiva para garantir a continuidade das atividades exercidas socialmente.

Um terceiro e importante autor é Mandeville. Este autor escreveu a famosa “Fábula das Abelhas” uma história sobre a vida de uma colméia próspera que pede uma intervenção divina para redimir suas falhas morais. O resultado é que, numa comunidade sem falhas morais, a colméia simplesmente deixa de produzir. A moral desta história é: somente num ambiente onde prospera a corrupção, inveja, malícia, prostituição, entre outros, é possível o crescimento econômico.

Essas três posições influenciaram profundamente a concepção de economia e administração do século XX. Para o taylorismo e fordismo, por exemplo, administrar pessoas é administrar instrumentos, coisas que são, por definição, destituídos da humanidade. Ainda que disciplinar o trabalhador implica em retirar-lhe toda capacidade crítica e criativa, sua “domesticação” se faz necessária para o bom desenvolvimento das atividades solicitadas. No âmbito acadêmico, Friedman (talvez o principal expoente da Escola de Chicago) sustentou que a responsabilidade social da empresa consiste única e exclusivamente em aumentar o seu lucro, maximizar os seus retornos, ou seja, assegurar os interesses dos investidores.

Logo, tudo o que se faz na empresa e nos negócios tem por objetivo o cumprimento desta meta. A preocupação com os empregados, com a qualidade, com o bem-estar da comunidade, enfim, tudo o que se faz pelos outros, justifica-se apenas se a ação resulta na maximização dos resultados econômicos da empresa ou do negócio.

Essa ética da vantagem econômica, que fundamenta e sustenta o neoliberalismo, seria a única possibilidade de possibilitar o progresso econômico e social. No entanto, é importante salientar que a moderna organização tem como função primordial a harmonia, juntando aspectos formais e informais, fazendo uma interação na qual se torna necessário o efeito sinergia.

Dessa forma, é importante disseminar junto à nossos acadêmicos que para ter uma moderna gestão é imprescindível a utilização de valores morais e éticos junto aos nossos colaboradores, desenvolvendo habilidades de relacionamentos para tornar nossa organização menos egoísta e mais humanista, compartilhando conhecimentos empíricos e conceituais.
 
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Aguinaldo Pires Cordeiro
Aadministrador, mestre em Engenharia de Produção,
professor do curso de Administração da Faculdade Dom Bosco

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