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Segundo Landim (1997), a educação à distância, nas ultimas décadas, tem gerado uma diversa gama de literatura, onde se busca uma definição ou um conceito que possa especificar sua verdadeira essência. Dentro do contexto dessa modalidade de educação existe discrepância em relação aos termos distância e educação ou ensino, resultando daí uma das dificuldades para se encontrar uma conceituação consensual.
Em relação à distância existem divergências, embora muitos aceitem não haver necessidade da sede da instituição de educação à distância estar fisicamente afastada dos alunos. Educadores usam indistintamente os termos educação e ensino à distância, embora haja diferenças conceituais significativas entre eles:
Ensino: instrução, transmissão de conhecimentos e informações, adestramento, treinamento;
Educação: prática educativa, processo ensino-aprendizagem, que leva o indivíduo a aprender a aprender, pensar, saber, criar, inovar, construir conhecimentos, participar ativamente de seu próprio crescimento. É um processo de humanização que alcança o pessoal e o estrutural, partindo da situação concreta em que se dá a ação educativa numa relação dialógica.
De nada adianta colocar uma tecnologia sofisticada, se não for criada uma mentalidade embasada na realidade. É de vital importância que haja um treinamento mais profundo dos futuros educadores e professores para não se desvincular o hyperlink entre o conhecimento, adquirido da forma tradicionalista que conhecemos, e a forma cibernética da aquisição do conhecimento, havendo com isso uma sinergia entre ambos.
Ainda segundo a autora, evidentemente, há situações e objetivos que se esgotariam no "ensino", mas a proposta mais abrangente e fundamental está, por certo, na educação. Os conceitos e definições mais significativos de educação à distância, as mais consagradas pela importância de seus autores ou pela divulgação que obtiveram nas últimas décadas, permitindo assim que se faça um estudo comparativo entre as mesmas. Dohmem (1967), apud Landim (1997), define como: “Educação à distância (Ferstudium) é uma forma sistematicamente organizada de auto-estudo onde o aluno se instrui a partir do material de estudo que lhe é apresentado, e onde o acompanhamento e a supervisão do sucesso são levados a cabo por um grupo de professores”.
Peters (1973), apud Bolzan (1998), coloca: "Educação/Ensino à distância (Fernunterricht) é um método racional de partilhar conhecimento, habilidades e atitudes através da aplicação da divisão do trabalho e de princípios organizacionais, pelo uso extensivo de meios de comunicação (...). É uma forma industrializada de ensinar e aprender". Moore (1972), apud Landim (1998), aborda o ensino a distância como “o tipo de método de instrução em que as condutas docentes acontecem à parte das discentes, de tal maneira que a comunicação entre o professor e o aluno se tornam uma mera casualidade no obstante à resultados esperados”. Dentro dessa abordagem, podemos dizer que o aprendizado só acontece havendo envolvimento mútuo, onde professor e aluno possam se tornar um único indivíduo capaz de desenvolver habilidades cognitivas na interpretação de problemas em seu cotídiano.
Referências
ABRAMO, Perseu. O Professor, a Organização Corporativa e a Ação Política. Universidade, Escola e Formação de Professores. São Paulo: Brasiliense, 1987.
ALBUQUERQUE, J.A. Guilhon. Instituição e Poder. Rio de Janeiro: Graal, 1986.
ARAUJO, Filho, Luiz Soares de. O Professor: Formação, Carreira, Salário e Organização Política. Brasília: Em Aberto, 1987.
BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e Filosofia da Linguagem. 3.ª Edição. São Paulo: Hucitec, 1986.
BALZAN, Newton C. Tem a aula alguma validade? São Paulo: Didata, 1977.
BALZAN, Newton C. & PAOLI, Niuvenius. Licenciaturas – discurso e realidade. Simpósio “A Licenciatura em Questão”. 39.ª Reunião Anual da SBPC: Brasília, 1987.